segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma prova de amor


O último filme de Nick Cassavetes narra o drama de uma família que vê sua filhinha de apenas 2 anos receber o diagnóstico de leucemia. Apesar de esta ser uma doença, hoje em dia, bastante curável, a da garota era de um tipo mais complicado que pedia um transplante de medula. Aconselhados pelo médico, os pais geram outro bebê pra ser o doador da pequena Kate. Com essa missão, Anne vem ao mundo. Se fosse numa novela de Manoel Carlos, estaria tudo resolvido. Mas no drama, baseado no livro "Sister Keeper" de Jodi Picault, as coisas não são tão fáceis. Além da medula, Anne também acaba doando células-tronco pra irmã. Mais adiante a mãe decide que ela também teria que abrir mão de um rim. Aqui, a garota começa a reivindicar o domínio sobre o próprio corpo e vai à justiça. Terá a família o direito de mutilar mais uma vez a caçula em nome dessa guerra contra o câncer que a cada dia se revela perdida? Esse é o grande questionamento do filme. Para uns críticos a intenção do diretor era provocar lágrimas. Em mim, provocou uma reflexão sobre os limites entre a vida e a morte. Até que ponto devemos lutar pela vida? No momento em que a própria doente, cansada de sofrer, começa a jogar a toalha, é correto continuar dando murro em ponta de faca? Pra a mãe, brilhantemente interpretada por Cameron Diaz, é. Não queria estar no seu lugar. Ninguém aceita perder um filho. o mecanismo de defesa dessa mãe diante de tamanha dor é exercer o controle. Ela manipula a família pra salvar Kate. O que tem por trás disso? Culpa pela doença da menina? Não teria sido uma mãe suficientemente boa pra curá-la? Por outro lado, estará sendo uma boa mãe pra Anna obrigando-a doar o rim? A virada do filme alivia o espectador dessa escolha ética. E ajuda a entender que aceitar a morte também faz parte da vida. Belo filme.

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