quinta-feira, 13 de maio de 2010

Moulin Rouge


Adaptado do livro homônimo, que li aos 11 anos num Carnaval “de molho”, com hepatite, o filme “Moulin Rouge” de John Houston conta a história de Henri Toulouse-Lautrec, com as cores impressionistas de seus quadros. Filho de uma família nobre, o garoto Henri nasce com uma atrofia nas pernas e atinge a idade adulta com a altura de um anão. Rejeitado pelas mulheres do seu ambiente social, muda-se para Paris e se envolve com prostitutas e com as dançarinas do Moulin Rouge, o cabaret mais famoso do mundo. Sob o ponto de vista psicanalítico, é uma história de sublimação. Toda a dor da rejeição, da feiúra, do desprezo do pai, que não valorizava sua profissão, Lautrec desloca pra sua arte. Essa dedicação aos pincéis até ameniza seu sofrimento. Mas não impede que sobrem muitas mágoas pra serem afogadas no absinto, uma bebida que é quase um alucinógeno. Apaixonado pela mãe que o protege até o fim, Henri, aparentemente, não consegue “resolver” seu Édipo identificando-se com a aquela figura paterna nobre, arrogante e improdutiva. Esse motivo, somado à baixa auto-estima advinda do deplorável aspecto físico, o incapacitam a viver uma relação amorosa saudável. Porisso ele paga pelas companhias femininas. Quantos homens e mulheres rejeitados pela mãe e/ou massacrados por um pai autoritário não vivem relações desse tipo ainda hoje? E sem o talento do impressionista, primeiro artista a ter um quadro no Louvre em vida, pra sublimar sua dor em cores tão magníficas.

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