domingo, 16 de maio de 2010

Pecados inocentes


Baseado na vida da socialite americana Barbara Baekeland, que foi casada com o dono da Baquelite, “Pecados inocentes” aborda um dos maiores tabus da sociedade ocidental: o incesto. Até pouco tempo, eu acreditava que a origem da proibição de uniões entre familiares estaria na probabilidade biológica de nascerem crianças com má-formação se os pais transassem com as filhas, as mães com os filhos ou irmãos com irmãs. Balela! Tanto nascem crianças “com problemas” de pais parentes quanto dos que não o são. Segundo a antropologia, essa interdição foi uma maneira de nossos antepassados forçarem a aproximação entre grupos sociais diferentes, fundamental pro desenvolvimento da comunicação e das ferramentas. Mas a proibição ficou lá, guardada no inconsciente dos primeiros humanos e foi passando de geração em geração até consolidar-se naquilo que Freud chama de Superego, uma espécie de juiz que diz pro ego o que é certo e o que é errado. Desse embate entre as regras do superego e os desejos do id é que nascem nossos maiores conflitos. Voltando ao filme, Barbara tem um filho chamado Tony, apaixonado por ela, como todos os bebês. É o Complexo de Édipo que, normalmente, se resolve quando o menino aceita que é o papai e não ele, o companheiro da mamãe. E que este pode ensiná-lo a ser um homem de verdade pra, um dia, conseguir uma mulher tão bacana quanto a mamãe. Como alem de não ser um cara bacana, com o tempo, o pai de Tony cai fora, o garoto leva seu Édipo às últimas conseqüências e acaba transando com a mãe. Chegam a formar um triângulo amoroso com um amante bissexual de Bárbara. Mesmo filmadas com toda a delicadeza, as relações incestuosa chocam o espectador. E provavelmente seus protagonistas. Ao ponto de Tony terminar matando a mãe. Não satisfeito, sai da cadeia anos depois e liquida a avó! Finalmente, se mata. Tragédia pouca é bobagem nesse embróglio familiar que é um prato cheio pros discípulos de Freud. Teria o rapaz sentido tanta culpa por ter tomado o lugar do pai no leito materno a ponto de punir a mãe pela permissão? E a avó? O que a pobre senhora tinha a ver com isso? Culpa por ter botado no mundo uma filha tão devassa? Vai saber? Nesses celeiros de culpas e fantasias que são nosso inconsciente nada vai parar lá por acaso. Há conteúdos que são nitroglicerina pura: tão perigosas pro próprio sujeito quanto pra quem convive com ele. Inclusive o psicanalista.

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