sábado, 8 de maio de 2010

Divinos Segredos


Dirigido por Callie Khouri, a premiada roteirista de "Thelma e Louise", “Divinos Segredos” traz Sandra Bullock e Ellen Burstyn nos papéis de uma mãe e uma filha cheias de conflitos. A filha Sidda é uma escritora famosa que, numa entrevista à Time, conta que sua infância infeliz a teria ajudado na carreira literária. Ao ver sua intimidade exposta, a mãe Vivi fica uma fera e inicia uma guerra de bater telefone uma na cara da outra. Quando a briga parece tomar o rumo de um rompimento, as três melhores amigas da mãe decidem intervir. Depois de um “Boa noite Cinderela”, seqüestram a jovem e a apresentam ao passado da mãe. Como na maioria das relações mãe e filha, a daquelas duas encerra um vale de mágoas e segredos. Afora os fatos intencionalmente ocultados das crianças, como a internação de Vivi após um surto psicótico, outros, por seu conteúdo extremamente doloroso, também haviam sido, por um mecanismo de defesa de Sidda, empurrados pro fundo do seu inconsciente. Exemplo: a surra que Vivi, ensandecida, aplicara nos filhos no meio da chuva. No acolhedor “cativeiro” das “tias”, Sidda se depara com fotos e recordações de uma Vivi adolescente, apaixonada pelo irmão de uma das amigas, que vai à guerra e não retorna. Casada com o pai de Sidda, Vivi, que sonhava ficar famosa, não se conforma com a vida medíocre de mãe de três pimpolhos e dona de casa. Descarrega toda sua frustração na bebida e nos remédios. As crises se agravam e as crianças sofrem. Como é usual nesses casos, tanto sofrimento afeta a capacidade futura de Sidda se entregar numa relação amorosa. Até porque nem só de lembranças tristes é povoado o nosso inconsciente. Ali também ficam armazenadas as culpas. Apaixonada pelo pai, como todas nós, segundo Freud, ela também carrega uma culpa indevida pela doença e depois pelo sumiço da mãe. Quando as lembranças são trazidas à tona e os mistérios esclarecidos, o alívio é geral. Claro que na vida real as coisas não seriam tão simples. Exigiria todo um trabalho psicanalítico pra que essas lembranças fossem elaboradas. Mas como é um filme, Sidda consegue se harmonizar com a mãe e, de quebra, se comprometer definitivamente com o companheiro que, há muito, esperava pra casar com ela. Vivi, por sua vez, livre da culpa de ter sido uma péssima mãe, cura as feridas na relação com a filha, e ainda descobre que era amor a paciência que o marido teve a vida inteira com ela.

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