A Mostra Internacional de Cinema nos trouxe, esse ano, “Submarino”, o último filme de Thomas Vinterberg, o dinamarquês que fundou o “Dogma 95” junto com Lars Von Triers. Pais abusivos ou ausentes costumam ser um bom tema para a Psicanálise. O filme de Vinterberg não deixa por menos. Baseado no romance de Jonas T. Bengstsson, retrata a dor e a fragilidade de dois irmãos. O filme abre com cenas de um lindo bebê sendo batizado por dois pré-adolescentes. Na seqüência, descobrimos que a mãe das três crianças é uma alcóolatra inveterada, permanentemente atrás de sua garrafa de Martini. Não pra menos, os meninos, já nessa tenra idade também estão viciados em bebida e cigarros, numa provável fixação na fase oral. Numa noites, com a mãe ausente, como sempre, os dois põem o irmãozinho para dormir e promovem uma festa particular, regada a bebida e música alta. A música alta é a maneira que eles encontram de abafar o incômodo choro do bebê. O Day after da festa apresenta uma tragédia que vai marcar a vida daqueles meninos para sempre. Ao perceber que o bebê está morto, os dois assumem a culpa, sem entender que a pulsão de vida naquela criança já devia estar comprometida pela falta do olhar materno. Com isso, se tornam adultos completamente desajustados. Seguindo o exemplo da mãe, Nick torna-se um alcoólatra com dificuldades nas relações amorosas. Ivan, por sua vez, se mete com drogas pesadas e acaba assumindo o filho Martin, mesmo nome do bebê falecido, quando a esposa morre de overdose. Claro que a dependência química o impede de exercer o papel de pai, no caso de pai e mãe, colocando-o sob a mira da Assistência Social. Quando os irmãos se reencontram no funeral da mãe, Nick tenta ajudar o sobrinho, abrindo mão de sua parte na herança. Mas o dinheiro só vai servir para afundar mais o pobre Ivan. Iludido com a vida fácil de traficante/usuário, ele queima tudo o que havia recebido e acaba preso. É quando se dá o segundo encontro entre os irmãos. Nick ,que havia ido para trás das grades para acobertar um amigo, é informado do suicídio de Ivan. Mais uma vez, se vê diante do sobrinho num funeral. O que acontece daí para frente não sabemos. Mas fica no ar a esperança de que, assumindo o pequeno Martin, Nick conseguirá expiar sua culpa da adolescência. Tomara!
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
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