Lisa Cholodenko é o nome da diretora dessa comédia sobre uma família constituída por um casal de lésbicas com um filho cada uma. O pai é o mesmo: um desconhecido que havia doado o esperma e permanece incógnito, até que o garoto Laser, aos 15 anos decide procurá-lo, envolvendo na empreitada a irmã Joni. É aí que começam os problemas. Sob o ponto de vista psicanalítico, Nic é o poder fálico do casal: cabelos curtinhos e tipo masculinizado, é médica e quem traz dinheiro para casa. Jules, mais feminina, cabelos longos, como muitas esposas héteros, ainda está buscando se encontrar profissionalmente. Assim como aquelas, também joga na cara da marida o fato de ter se dedicado à vida toda às crianças enquanto a outra se realizava. Segundo Freud, mulheres que gostam de mulheres têm uma sexualidade infantil, fixada na fase fálica. Isso não as impede de serem felizes. Seus filhos, aparentemente também não têm problemas com isso, aceitando os limites que a mãe masculina Nic impõe, enquanto a mãe feminina exerce, para ambos, o papel da acolhedora. Quando a figura paterna é introduzida na trama, dá um certo nó na cabeça dos jovens. A menina, imediatamente transforma-o em seu objeto inconsciente de desejo, a ponto de brigar com a amiga que dá em cima dele e se revoltar quando Jules se envolve com ele. Ao mesmo tempo, põe-se a questionar as regras impostas pelas mães em relação a “andar de moto”, aceitando a carona daquela figura que, na teoria freudiana, exerce o papel de estabelecer o que é certo e errado. Quanto ao garoto, mais ligado em esportes do que em estudos, a identificação com o pai não é imediata. Mas, aos poucos, Paul também passa a lhe transmitir valores, abrindo-lhe os olhos, por exemplo, para a amizade com um moleque problemático. Quando Paul e Jules se envolvem, durante o projeto de paisagismo que ela desenvolve para o restaurante dele, confesso que torci para dar certo. Surpreendentemente, os filhos não. Para não magoar a mãe Nic, insistiram na manutenção do casamento lésbico, por mais constrangedor que fosse para elas. Será que na vida real os jovens estão tão modernos assim? Duvido. Por mais que amassem as mamães, obviamente prefeririam que seus amigos, futuros cônjuges, sogros, ou patrões soubessem que eles pertenciam a uma família normal. Ainda mais com uma mãe charmosa como a Julianne Moore e um pai gatíssimo como Mark Ruffalo!
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
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