sábado, 6 de novembro de 2010

Esplendor na Relva


Baseado num poema de Woodworth sobre a nostalgia da infância, "Splendor in the Grass", "Clamor do Sexo" aqui no Brasil, é o primeiro de uma série de filmes de Elia Kazam que decidi assistir depois de ter me apaixonado por "Carta para Elia", o documentário em que Scorcese homenageia o cineasta grego. Retrato da América dos anos 30, o filme que consagrou e juntou na vida real Natalie Wood e Warren Beatty, tem os dois pés na Psicanálise. Deanie Loomies, a garota certinha do Kansas, é apaixonada pelo charmoso Bud Stamper. E ele por ela. Mas a moral da época e a marcação cerrada da família, impedem a moça de dar vazão à sua libido. Numa associação bem fálica, mamãe Loomies recomenda a Deannie antes de dormir : Não deixe o pernilongo te picar ! O pernilongo, no caso o belo herdeiro da família mais rica do pedaço, não se aguenta mais de tesão! E pede um tempo. Até porque concorda em preservar a inocência da namorada. Não quer que ela vire uma garota fácil e mal falada como sua irmã Ginny, além de tudo alcólatra. A repressão sexual da moça, provavelmente influenciada pela divulgação dos conceitos freudianos, na época, a leva uma um verdadeiro ataque histérico quando percebe estar perdendo seu grande amor por não ceder aos próprios desejos. Mas esses não são os únicos ingredientes psicanalíticos do filme. A relação de Bud com o pai, que o obriga a ir para a universidade, quando tudo o que deseja é cuidar da fazenda da família, tem elementos edipianos: o rapaz só concretiza seu sonho depois da morte do velho. Pra completar, numa época em que psicanalise e psiquiatria andavam de mãos dadas, é na clínica do Dr. Judd que nossa Deanie experimenta o divã. Se o analista consegue curá-la, não ficamos sabendo. Mas depois da clínica, a moça reúne forças pra encarar aquele passado que aos olhos da sua mãe parecia tão ameaçador. Revendo Bud no papel de criador de porcos e marido da filha da pizzaiola, com um filho no colo e outro na barriga da patroa, ela se toca do quanto havia de fantasia naquele amor, e do quanto a vidinha pacata na fazenda não tinha nada a ver com ela.

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